sexta-feira, 23 de maio de 2014

I Encontro dos Povos Ciganos

I Encontro dos Povos Ciganos de Pernambuco e III Encontro Kalé-Romá do Brasil.
Dias 23 e 24 de maio, em Caruaru (PE).

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Leitura Online! Quadrinhos - Guia Prático

Leitura Online! Quadrinhos - Guia Prático

Excelente material para iniciantes e estudiosos dos Quadrinhos.

A obra apresenta dicas para quem desejar criar suas próprias histórias, entender o processo e elementos que fazem parte da estrutura e criação da própria nona arte.

Indicado a adultos e crianças, com 62 paginas ao todo, em cores.

Leia ou baixe no Issu ->
http://issuu.com/calangoassado/docs/_2011__quadrinhos_guia_pratico

segunda-feira, 19 de maio de 2014

“É possível aprender a desenhar quadrinhos”

“É possível aprender a desenhar quadrinhos” – Conversa com Anke Feuchtenberger

Anke Feuchtenberger; © Julia Steinigeweg

Anke Feuchtenberger é professora de desenho e ilustração de mídias na Escola Superior de Ciências Aplicadas (HAW) de Hamburgo. Falou com “Goethe.de” sobre a arte dos quadrinhos em escolas superiores alemãs..Professora Feuchtenberger, em quais situações a senhora recomendaria o estudo numa escola superior de artes alemã a pessoas que se interessam por quadrinhos ou que têm talento artístico?

Não recomendaria a ninguém que não tivesse a iniciativa de escolher esta área de estudo. Seria uma responsabilidade grande demais: os quadrinhos na Alemanha ainda são uma área difícil quando se quer viver deste ofício. É necessário trabalhar em diversas áreas, por exemplo, ilustração ou desenho gráfico, para poder se dedicar aos quadrinhos como atividade complementar.
Até hoje, elaborar quadrinhos não é considerado uma profissão em si e não há cursos superiores específicos para formar jovens nesta área. Até o meu cargo na HAW de Hamburgo está dedicado a desenho e ilustração. Precisei batalhar bastante para conseguir incluir determinados tópicos e tarefas relacionados aos quadrinhos nas minhas aulas. Mas hoje em dia, ministro uma disciplina dedicada exclusivamente aos quadrinhos.


Quem tem talento, pode aprender a contar histórias


O que a senhora ensina além disso?
Além disso, ainda ministro uma disciplina do curso de Master em que os alunos podem trazer seus próprios projetos, que nem sempre são quadrinhos. E eu ministro um curso de desenho com perfil acadêmico em que transmito as bases do desenho de quadrinhos e do desenho com narrativa. Nesse curso também desenhamos paisagens, o que é um bom fundamento para os quadrinhos se pensamos, por exemplo, no desenho de espaços.
Até que ponto é possível aprender a desenhar quadrinhos, qual é o talento mínimo que um futuro quadrinista deve ter?
A pessoa tem que ter talento para desenhar. O resto se aprende. Alguns alunos me procuram no início do semestre e dizem que não sabem contar histórias. Esses primeiros passos são difíceis. Mas pela minha experiência, os alunos aprendem a contar histórias quando adquirem uma certa desenvoltura no desenho e se afastam daquela concepção inicial do que deve ser uma HQ.

Tradução de realidade em dimensões abstratas


Como a senhora vê a sua Faculdade em relação a outras Escolas Superiores de Artes, como Kassel ou Berlim, onde os quadrinhos também ocupam uma posição importante?
Não estamos tão distante delas. Quem estudou em Kassel ou em Berlim geralmente recebeu uma boa formação geral na área de desenho gráfico e design. Na nossa Faculdade, entretanto, design e ilustração são cursos distintos. Isso tem vantagens e desvantagens.
Minha proposta pessoal é deixar os alunos se desenvolverem livremente na área do desenho e aprenderem diversas formas de traduzir a realidade em dimensões abstratas. Para mim, o estilo não vem em primeiro lugar. Quero que durante o maior tempo possível os alunos não se comprometam com um estilo e mantenham muitas portas abertas.

Muito inspirados pelos professores


Mas vários trabalhos de alunos seus dão a impressão de terem sido influenciados pelo seu estilo …
Isso também acontece com meus colegas de outras faculdades: reconheço imediatamente quando estou diante de um aluno de Henning Wagenbreth da Universidade de Artes de Berlim. Ou de um aluno de Hendrik Dorgathen, de Kassel.
Acho que é comum os alunos serem influenciados e inspirados pelos seus professores. Não ensino o meu estilo pessoal nas aulas e tampouco apresento meus trabalhos na faculdade. E há vários ex-alunos meus que desenvolveram um estilo bastante diferente, por exemplo, Sascha Hommer, Arne Bellstorf, Line Hoven e Birgit Weyhe.

O interesse por mangás não é empecilho


Estudantes que gostam de mangás, que continuam em voga, recebem uma boa formação na sua faculdade?
Arne Bellstorf; © Oliver GörnandtEntre meus alunos há várias mulheres que gostam de mangás, o que para mim é muito positivo, porque costumo incluir as inspirações dos grandes mestres dos mangás nas minhas aulas. Para mim, o mais importante é que o aluno se dedique a temas pelos quais realmente se interessa e encontre o seu estilo pessoal.
Qual é a sua opinião sobre as instituições privadas que oferecem cursos específicos para futuros quadrinistas, como a Design Akademie de Berlim ou a Comicademy?
Diferentemente das entidades privadas, a formação nas Escolas Superiores de Artes oferece um repertório amplo com um foco muito individual e artístico. Trata-se de uma formação artística em nível de vanguarda, que não está voltada prioritariamente para o mercado. Mas é claro que também queremos que os nossos alunos encontrem trabalho depois de formados.

Como apresentar uma obra a uma editora?


Os seus alunos também aprendem a se sustentar, depois de formados, com a profissão de quadrinista?
Sim, este aspecto faz parte do programa mais amplo de ilustração. Também convidamos profissionais da área que trabalham em agências e na área de comercialização – ou editores, como Dirk Rehm, para explicar como apresentar uma obra a uma editora.
Em termos de arte dos quadrinhos, Hamburgo, Berlim e Kassel devem ser as escolas superiores mais importantes na Alemanha. Ainda há outras?
A Escola Superior de Artes de Berlim-Weißensee também goza de uma boa reputação na área. Nos últimos tempos, temos visto várias pessoas bem formadas em narrativas em imagens em Kiel, sob orientação de Markus Huber. E Martin tom Dieck dá aulas em Essen, de lá certamente virão mais impulsos nos próximos tempos.

Anke Feuchtenberger: Die Spaziergängerin; © Feuchtenberger/Reprodukt VerlagAnke Feuchtenberger, nascida em 1963, é professora de desenho e ilustração de mídias na Escola Superior de Ciências Aplicadas (HAW) de Hamburgo. Publicou vários quadrinhos, a maioria deles pela editora Reprodukt. Sua publicação mais recente é a coletânea de narrativas curtas “Die Spaziergängerin” [A transeunte].



Retirado integralmente do site: http://www.goethe.de/kue/lit/prj/com/ccs/csz/pt10012169.htm 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Mini curso: Teorias do Constitucionalismo Transnacional, Prof. Dr. Poul Kjaer - Copenhague





Interatividade da internet mudou a forma de comunicar a ciência

Com o advento das novas mídias, as visões tradicionais da comunicação da ciência estão sendo redefinidas, aponta Dominique Brossard, da University of Wisconsin-Madison (foto:PCST)

Especiais

Interatividade da internet mudou a forma de comunicar a ciência

09/05/2014

Por Elton Alisson, de Salvador

Agência FAPESP – As novas plataformas de web 2.0 – como é denominado o uso interativo da internet –, tais como blogs e redes sociais, têm transformado o modo de comunicar a ciência e aumentado a difusão de conteúdo científico em diversos países, incluindo o Brasil.

A avaliação foi feita por especialistas participantes de um painel sobre o uso de mídias sociais na comunicação da ciência durante a 13th International Public Communication of Science and Technology (PCST), realizada entre 5 e 8 de maio em Salvador, na Bahia.

Com o tema central "Divulgação da ciência para a inclusão social e o engajamento político", o encontro ocorreu pela primeira vez na América Latina e reuniu pesquisadores de mais de 50 países para debater práticas e estratégias de comunicação e divulgação científica adotadas em diferentes partes do globo.

"Com o advento das novas mídias on-line, as visões tradicionais da comunicação da ciência estão sendo redefinidas", disse Dominique Brossard, professora e chefe do Departamento de Comunicação de Ciências da Vida na University of Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.

"Temos cada vez mais blogs de ciência em diversos países, que em grande parte não são feitos por cientistas ou jornalistas científicos, mas por pessoas comuns, com interesses específicos por determinados assuntos científicos, que na tentativa de compreender a ciência têm produzido conteúdo de uma forma que não era feita há dez anos", disse Brossard, que lidera o Laboratório de Pesquisa em Ciência, Comunicação Social e Público (Scimep, na sigla em inglês) da universidade norte-americana.

De acordo com Brossard, além dos blogs, outras mídias sociais, como o Facebook e o Twitter, têm impactado fortemente o engajamento público na ciência e tecnologia.

São necessários, no entanto, mais dados empíricos para avaliar a real dimensão desse impacto, a forma como o público se relaciona com essas novas mídias e como a informação é difundida nesses novos meios de comunicação, afirmou a pesquisadora.

"Diversos estudos têm demonstrado que as redes sociais contribuem para a difusão de notícias sobre diversos temas, inclusive ciência e tecnologia, e que o público é amplamente a favor da publicação de notícias nas redes sociais", apontou.

"Mas a pesquisa sobre a comunicação on-line da ciência ainda apresenta muitos desafios e são necessários mais estudos para comprovar nossos pressupostos, que são diferentes dos que tínhamos em relação às mídias tradicionais", avaliou Brossard.

Segundo a pesquisadora, alguns estudos recentes – como o Reuters Institute Digital News Report 2013, publicado em julho do ano passado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, da Oxford University, do Reino Unido – indicam que o público consome cada vez mais notícias on-line. No caso das notícias sobre ciência e tecnologia, essa tendência não é diferente.

"As pessoas voltam-se cada vez mais para ambientes on-line a fim de encontrar informações sobre ciência e acompanhar os progressos científicos", afirmou.

"E, em muitos países, as pessoas procuram por informações científicas cada vez mais por meio de buscadores, como o Google, em vez de seguir fontes específicas, como os sites dos principais jornais de seu país", apontou Brossard.

Uma das características das notícias publicadas hoje no universo on-line, de acordo com a pesquisadora, é que elas estão cada vez mais contextualizadas – ou seja, são acompanhadas por seções de comentários e são "tuitadas", "retuitadas" e reproduzidas nas redes sociais.

Segundo Brossard, esses "rastros" das notícias podem ser utilizados como indicadores para os pesquisadores da Ciência da Comunicação obterem dados empíricos para estudos sobre comunicação on-line. "Eles podem nos dar pistas para analisarmos os efeitos das notícias sobre ciência, por exemplo, no universo on-line", indicou.

Uma das constatações feitas em um estudo realizado do grupo dela no Scimep com base em algumas dessas "pistas contextuais", como ela as denomina, é que os comentários publicados sobre uma notícia podem mudar a forma como os leitores a interpretam.

"Descobrimos que os comentários podem modificar a percepção e a opinião de outros leitores em relação aos resultados de uma pesquisa científica relatados em uma matéria publicada em uma plataforma on-line", disse Brossard.

A fim de minimizar esse efeito, alguns veículos, como a revista de divulgação científica norte-americana Popular Science, decidiram desativar a seção de comentários dos leitores em suas edições on-line, apontou a pesquisadora. "Essa ação nos forneceu evidências empíricas das nossas conclusões", afirmou Brossard.

Diálogo com o público

Na avaliação dos participantes do painel, apesar da contribuição das mídias sociais no aumento da difusão de conteúdo relacionado à ciência no mundo, elas são pouco utilizadas e exploradas pelos comunicadores da ciência.

Tantos os jornalistas científicos como os cientistas estão sub-representados no universo digital, apontaram.

"Os cientistas e jornalistas científicos precisam se adaptar e estar mais presentes nessas novas mídias", disse Mohammed Yahia, editor do Nature Middle East – site da revista científica britânica que se concentra em notícias do mundo árabe relacionadas à ciência.

"Para isso, é preciso estar disposto a ouvir o que o público quer saber e estar aberto a comentários sobre seu trabalho que muitas vezes são terríveis, mas também a receber sugestões muito boas que podem ser úteis para melhorar a narrativa de suas histórias sobre descobertas científicas", avaliou.

Na opinião de Yahia, as mídias sociais possibilitam aos comunicadores de ciência uma aproximação do público e o seu engajamento nas histórias que contam.

Uma experiência em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, segundo ele, é a dos podcastscientíficos – arquivos de áudio transmitidos por internet – em que os ouvintes são convidados a responder a uma determinada pergunta sobre um problema científico e as respostas são incorporadas nos próximos episódios.

"É preciso que os comunicadores de ciência tentem envolver seu público na produção de suas histórias", disse Yahia. "Ao fazer isso, o público também passa a se sentir dono da história relatada e tem maior interesse em pesquisar sobre um determinado assunto científico, adicionar e compartilhar informações", estimou. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

II Simpósio Nacional sobre Linguagem Humorística: Focalizando Quadrinhos

II Simpósio Nacional sobre Linguagem Humorística: Focalizando Quadrinhos

Será realizado entre 19 a 21 de novembro de 2014, na Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória-ES.

O objetivo principal é a integração de pesquisadores sobre a temática histórias em quadrinhos.

O Simpósio Acadêmico, além de proporcionar visibilidade a estudos sobre o tema, tem, ainda, o propósito de promover intercâmbio de estudos, a partir de uma programação que contará com conferências, mesas redondas, sessões temáticas com comunicações individuais, minicursos, oficinas e lançamentos de livros.

Segue o link do evento: http://eventos.ufes.br/humorhq 

terça-feira, 6 de maio de 2014

Fwd: Conheça mais sobre o mundo do mangá e do animê no artigo da Profa. Dra. Sonia M. Bibe Luyten


 

Lista de todos os artigos já publicados na página de Estudos Japoneses:



A pesquisa antropológica em um mundo dominado pela imagem


Projeto procura responder ao desafio de aproximar uma disciplina tradicionalmente feita de palavras de uma realidade na qual os signos visuais falam cada vez mais alto (Lisa/USP)

Especiais

A pesquisa antropológica em um mundo dominado pela imagem

06/05/2014

Por José Tadeu Arantes

Agência FAPESP – "A Antropologia tem sido, predominantemente, uma disciplina de palavras: uma disciplina na qual se fala, se escreve, se lê. E o mundo de hoje é, cada vez mais, um mundo de imagens e de interatividade. Como a pesquisa antropológica pode se aproximar da linguagem do mundo contemporâneo, sem sacrificar o conteúdo daquilo que é pesquisado?"

Foram reflexões como essa, apresentada por Sylvia Caiuby à Agência FAPESP, que motivaram o Projeto Temático "A Experiência do filme na Antropologia", atualmente em fase de conclusão. Professora titular na área de Antropologia da Imagem da Universidade de São Paulo (USP) e diretora do Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma), Sylvia é a pesquisadora responsável pelo projeto, que tem o apoio da FAPESP.

"Já estamos no terceiro Temático apoiado pela FAPESP. O financiamento aos dois projetos anteriores e a verba obtida por meio do Programa de Apoio à Infraestrutura permitiram modernizar e equipar o Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (Lisa), dotando-o de uma infraestrutura ímpar em termos acadêmicos na América do Sul", disse Sylvia.

Ligado ao Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o Lisa abriga um acervo com cerca de 1,6 mil vídeos, 8 mil fotos (em papel, diapositivos e negativos de vidro) e mais de 180 horas de material sonoro (em CDs, fitas cassetes e discos), além de documentos de referência (livros, teses e catálogos). Grande parte desse material foi digitalizada e ele está agora arquivado em dois conjuntos de HDs, de 18 terabytes cada, com backup em uma nuvem computacional instalada fora da universidade.

Um destaque do acervo do Lisa é a enorme coleção de fotos em papel de Lux Vidal, professora emérita da USP, que trabalhou durante anos com os Kayapó-Xikrin. Também notáveis como registros que documentam, em parte, a própria história da Antropologia são as fotografias feitas pelos etnólogos alemães naturalizados brasileiros Herbert Baldus (1899-1970) e Curt Nimuendajú (1883-1945) e pelo antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009), entre outras.

O Lisa ocupa duas unidades no Conjunto Colmeia da USP e dispõe de sala climatizada e desumidificada com estantes deslizantes para acondicionamento do acervo, auditório para projeção audiovisual, duas ilhas de edição de vídeos (uma em plataforma PC e outra em Mac) e sala acusticamente isolada para edição de som, entre outros equipamentos.

Todos esses recursos estão à disposição de pesquisadores, professores e alunos de Antropologia. E o público, em geral, pode ter acesso, via internet, ao banco de dados do acervo, com a relação completa dos filmes e sinopses, e busca por título, diretor e palavras-chave, bem como à versão integral de 90 filmes produzidos no próprio Lisa. Basta cadastrar-se no sitehttp://www.lisa.usp.br/.

O Lisa reúne atualmente três grupos de pesquisa: o Grupo de Antropologia Visual (Gravi), coordenado diretamente por Sylvia; o Núcleo de Antropologia, Performance e Drama (Napedra), coordenado por John Cowart Dawsey, que concluiu recentemente o Projeto Temático "Antropologia da Performance - Drama, Estética e Ritual" , também apoiado pela FAPESP; e o grupo Pesquisas em Antropologia Musical (PAM), coordenado por Rose Satiko Gitirana Hikiji, que também coordena o Lisa como um todo.

"Em linhas bem gerais, o grande objetivo do nosso projeto temático "A Experiência do filme na Antropologia" é desenvolver formas narrativas que venham se somar ao texto verbal. Como trabalhamos com imagens e sons, seja por meio da análise da documentação audiovisual, seja por meio da produção de resultados de pesquisas, todas as áreas da antropologia, todos os subtemas da antropologia, podem se beneficiar daquilo que fazemos", comentou Sylvia.

Mas a pesquisadora enfatizou que a relação, absolutamente necessária, entre a produção audiovisual e a antropologia não é tarefa fácil. "Como retratar um ritual funerário em um filme?", exemplificou.

"Não podemos fazer algo simplista, ou sensacionalista, ou que desconsidere os princípios éticos que balizam a disciplina. Ao mesmo tempo, precisamos levar em conta as especificidades da linguagem cinematográfica, e não fazer a mera transposição do texto acadêmico para o filme. As pesquisas tipicamente antropológicas são estudos de longo prazo, nos quais o pesquisador estabelece relações de confiança e procura captar o ponto de vista do outro. Como apresentar cinematograficamente ou por meio de um ensaio fotográfico os resultados?", prosseguiu.

De certa forma, a distinção tradicional entre o trabalho do cientista e o trabalho do artista precisa ser superada. "Essa superação de barreiras conceituais é algo que já ocorre, por exemplo, em relação à dicotomia entre documentário e ficção. Verificamos que essa distinção não é operacional", disse Sylvia.

"A palavra ficção vem do latim fictio, que significa inventado, fabricado. Mas todo documentário é também fabricado, é também construído – no caso, construído pelo pesquisador na relação com as pessoas pesquisadas. As pessoas documentadas em um filme querem aparecer de determinada maneira e não de outra; elas escolhem a maneira como sua imagem deve se tornar pública", disse.

Ao mesmo tempo – lembrou a pesquisadora –, várias sociedades indígenas, com a assessoria de antropólogos, estão atualmente transformando em filmes suas narrativas míticas. "São filmes encenados, nos quais pessoas da comunidade representam os papéis dos vários personagens míticos. Um filme como esse é documentário ou ficção? Não há divisão clara", argumentou.

O maior ou menor sucesso no enfrentamento desses e de outros desafios pode ser avaliado assistindo-se aos filmes disponíveis no site do Lisa. Vários deles foram levados a público recentemente na mostra "Contro-Sguardi: retrospectiva do festival de cinema antropológico" , exibida em São Paulo, no Cine Livraria Cultura, no Centro Universitário Maria Antonia e no Cinusp Paulo Emilio, entre 14 e 30 de abril.