quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Imagens: Mesa redonda: Inovações tecnológicas e ensino de Sociologia.


Vídeo com os primeiros minutos, clique aqui.

Mesa redonda: Inovações tecnológicas e ensino de Sociologia.
Com Alex Gomes (Cin-UFPE) e Amaro Braga (ICS-UFAL).
Coordenação: Túlio Velho Barreto (FUNDAJ)




terça-feira, 13 de setembro de 2016

seminário Sociolog@ndo na UFPE




O seminário Sociolog@ndo: ensino de sociologia e suas conexões, é uma iniciativa do Núcleo de Pesquisa em Ensino e Sociologia (NUPESO/UFPE), que tem por objetivo discutir o ensino de sociologia a partir da produção da área e dos projetos de intervenção construídos no Programa Institucional de Iniciação a Docência (PIBID/Sociologia). 

O evento pretende aproximar as discussões do campo da profissionalização docente com as diversas práticas no ensino de sociologia. Dessa forma, espera-se contribuir na formação de licenciandos em Ciências Sociais e professores da educação básica no que se refere ao processo de ressignificação da prática docente e do reconhecimento do seu caráter plural. 




PROGRAMAÇÃO

27 DE Setembro | Terça
Credenciamento - 10:00 - 13:00
Abertura - 14:00 -14:30

Palestra de abertura |14:30 – 15:30 |
A profissionalização docente e o ensino de sociologia.
Profa. Silke Weber (UFPE)

Apresentação cultural |15:30 - 16:00 |

Mesa redonda |16:00 - 17:30 |
A questão racial e o ensino de Sociologia.
Liana Lewis (UFPE): Educação e Relações Raciais: Caminhos para desafiar o racismo na escola.
Francisco Jatobá (UFPE): Universidade e ações afirmativas: o que pensar para além das cotas?
Cristiano França (FACOL): Sociologia e questões raciais: desafios pedagógicos para @s professor@s de sociologia no Ensino Médio.
Coordenação: Silke Weber (UFPE)

Apresentações Orais |19:00 – 21:00|
Coordenação: Erinaldo Carmo (UFPE) e Ivan Fontes Barbosa (UFPB)
28 DE Setembro | Quarta

Mesa redonda |14:00 -15:30|
Inovações tecnológicas e ensino de Sociologia.
Alex Gomes (UFPE): Novas tecnologias e a educação.
Alex Vailati (UFPE): O uso do audiovisual no ensino.
Amaro Braga (UFAL) :A linguagem dos quadrinhos nas aulas de sociologia.
Coordenador: Túlio Velho Barreto (FUNDAJ)
Mesa redonda |15:30 -17:00 |
Gênero, sexualidade e diversidade no ensino e na formação de professores.

Marion Quadros (UFPE): Antropologia, Gênero e Sexualidade na formação docente.
Marcelo Miranda (UFPE): Gênero, sexualidade e Sociologia na formação docente.
Ana Claudia Rodrigues (UFPE): Diversidade e interseccionalidade na formação docente.
Coordenação: Maria do Carmo Gonçalo Santos (UFRPE/SERRA TALHADA)

Palestra |18:00 -19:00 |
Linguagem como prática social: analisando gêneros midiáticos da cultura popular urbana paulista.
Profa. Anna Bentes (UNICAMP)

Mesa redonda |19:00 - 20:30 |
Experiências institucionais no ensino de sociologia.
Alexandre Zarias (FUNDAJ) – Mestrados Profissionais para o Ensino: percursos da Sociologia.
José Hermógenes Moura (UNIVASF)- Experiências em temas transversais no ensino de sociologia: PIBID/UNIVASF - Drogas na Escola e a Prevenção de Danos.
Vânia Fialho (UPE) – Ensino, Pesquisa e Extensão na Licenciatura em Ciências Sociais: o tripé como componente curricular.
Coordenação: Ivan Fontes Barbosa (UFPB)
29 DE Setembro | Quinta

Mesa redonda | 14:00 – 15:30 |
Cultura, movimentos sociais e educação.

Cibele Rodrigues (FUNDAJ): Educação popular, cultura, movimentos sociais e aprendizagens.
Cezar Candeias (UFAL): Culturas Juvenis e o Currículo: pensando elementos para o Ensino da Sociologia.
Fernanda Alencar (UFPE/CAA): Educação do campo e direito: diversidade e inclusão no campo.
Coordenação: Cristiano França (FACOL)

Mesa redonda | 15:30 -17:00 |
O papel da linguagem no ensino.
Suzana Cortês (UFPE ) : Linguagem e ensino: dialogado com as experiências do PIBID Letras Português.
Rosane Alencar (UFPE): Linguagem, conversação e o ensino de sociologia.
Fabiele Stockmans De Nardi (UFPE): Ler, descrever, interpretar: pensando o sentido pelo viés da análise do discurso.
Coordenação: Conceição Lafayette (UFPE)

Mesa redonda | 17:00 – 18:30 |
Trabalho docente, valores e ensino de sociologia.
Conceição Lafayette (UFPE): Práticas educativas na perspectiva do cuidado: a extensão universitária na Escola.
Simone Brito (UFPB): O esquecimento da politica: vocação  e experiência moral na formação de professores.
Sidartha Soria (UFPE): Educação e trabalho: o olhar dos docentes de humanidades em universidades interiorizadas no Nordeste.
Coordenação: Marcelo Miranda (UFPE)

Palestra de encerramento | 18:30 -19:30 |
Profa. Alice Botler (UFPE): Violências e conflitos na escola: desafios para a formação do educador.

Coffee-break | 19:30 -20:00 |
Lançamentos | 20:00- 20:30 |
Revista Idealogando e Idealogando Visual
Apresentação cultural | 20:30 – 21:00 |

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Entrevista para a Feira do Livro de Frankfurt

PROFESSORES LEITORES DE HQS CONSEGUEM MELHOR RESULTADO

POR IVANI CARDOSO
Pesquisas demonstram que não há correlação entre o baixo rendimento dos alunos e leitura das HQs (isto é, as HQs não são deseducadoras como muitos pensam). Além disso, os dados revelam que há uma relação entre a não leitura das HQs e o baixo rendimento, isto é, as notas mais baixas estão entre os alunos que não leem quadrinhos. As afirmações são de Amaro Braga, quadrinhista e sociólogo, um dos autores da obra “Quadrinhos & Educação volume 3: Fanzines, espaços e usos pedagógico”.Estudioso do tema e leitor voraz de quadrinhos, ele diz que o gênero é muito utilizado na escola em vários países, não apenas como indicativo de leitura paradidática, mas como leitura principal. Amaro afirma que os professores no Brasil ainda têm muito preconceito na hora de adotar HQS na sala de aula, muitas vezes até por desconhecimento. Para os educadores que desejam entrar nesse mundo adorado pelos alunos, ele dá algumas dicas: Pedir a ajuda dos alunos para selecionarem o material; ler bastante aquilo que circula no mercado e fazer anotações em busca de inter-relações com seus temas de aula. E, principalmente, estar disposto a promover estas interseções didáticas com o material escolar”. Amaro é licenciado e bacharel em Ciências Sociais, Especialista em História da Arte, Especialista em Artes Visuais, Especialista em EAD, Mestre e Doutor em Sociologia. Já publicou seis livros sobre quadrinhos e nove álbuns.  Em 2007, ganhou o HQMIX de melhor contribuição para os quadrinhos pelo álbum “Passos Perdidos, História Desenhada” sobre a presença judaica em Pernambuco. É professor Adjunto no Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas. Seu blog:www.axbraga.blogspot.com.br
Há estudos comprovando a eficácia das HQs na sala de aula?
Sim, há.  O conselho nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, publica todos os anos um relatório chamado “Retrato da Escola”, no qual constam diversos levantamentos sobre temas relevantes. Entre eles há avaliação do porcentual de proficiência (nível das notas) entre estudantes leitores de quadrinhos e não leitores. Os levantamentos têm demonstrado que não há correlação entre o baixo rendimento dos alunos e leitura das HQs (isto é, as HQs não são deseducadoras). Além disso, os dados mostram que há uma relação entre a não leitura das HQs e o baixo rendimento, isto é, as notas mais baixas estão entre os alunos que não leem quadrinhos. E ainda, que professores que leem quadrinhos conseguem maior rendimento de seus alunos em comparação com os professores que não leem. Há diversos outros estudos, mais qualitativos (em forma de dissertação de mestrado e teses de doutorado) que realizam estudos de recepção mostrando a eficácia dos quadrinhos na sala de aula.
Que tipo de HQs são os mais indicados para a aprendizagem?
Não existe um tipo definido. Todas as HQs podem e têm potencialidades para o uso pedagógico. Os quadrinhos e a linguagem dos quadrinhos são recursos didáticos que podem ser explorados por quaisquer disciplinas e conteúdos, basta o professor ter conhecimento do material e desenvolver uma ação que o envolva. Se tivéssemos que elencar um tipo, seria aquele que o aluno já anda lendo. Se ele já ler uma HQ específica, é meio caminho andado para que o processo de aprendizagem ocorra, pois, o professor apenas despertará a compreensão sobre os fenômenos de interesse da disciplina. O aluno, ao conhecer a história ou o material quadrinizado pode, inclusive, participar com mais proeminência de um debate ou discussão e realizar a correlação entre a leitura e o conteúdo focado na aula.
Que conteúdos mais favorecem o uso dos quadrinhos?
Não existe um mais favorecido. Todos têm a mesma potencialidade. Agora, ultimamente, tem sido mais frequente aqueles conteúdos desenvolvidos pelos professores de português (no campo da linguística), história e literatura (devido às adaptações literárias).  Mas qualquer conteúdo pode ser efetivado. Já foram publicados no Brasil, mangás (quadrinhos japoneses) que ensinam estatística, cálculo, genética e processamento de dados (Só para citar os mais diferentes), tudo em quadrinhos.
Quando saiu seu livro? Como surgiu a ideia?
Em 2014 fizemos um levantamento sobre as pesquisas sobre quadrinhos e descobrimos que a grande maioria de estudos acadêmicos (monografias, dissertações e teses) estavam na área de educação. O Prof. Dr. Thiago Modenesi (FG/PE) já havia montado uma coletânea sobre “Quadrinhos e Educação” com cinco trabalhos de pesquisadores que atuaram na área (no qual eu participo e ele mesmo, tendo feito uma dissertação e uma tese em Educação focando as HQs) naquele mesmo ano e, após algumas conversas, resolvemos montar a coletânea “Quadrinhos e Educação”, para reunir os trabalhos destes pesquisadores. Em 2015, lançamos os volumes 1 e 2 com trabalhos de trinta e seis pesquisadores brasileiros e estrangeiros. E, agora, no primeiro semestre de 2016, lançamos o terceiro volume com mais dez artigos de pesquisadores de diversas regiões do Brasil. Já estamos trabalhando no volume 4.
Os professores têm dificuldades em assumir o uso de HQs na sala de aula?
Em princípio, sim. Pois ainda há muito preconceito por parte do tipo de leitura ser considerada infantil ou juvenil e de um entretenimento fugaz. Mesmo quando eles não têm esta perspectiva, encontram dificuldade em conhecer este universo gigantesco de publicações. O que os professores devem fazer é consultar aqueles que mais conhecem os quadrinhos, os grandes especialistas no assunto: os jovens leitores. São os próprios alunos que conhecem centenas de publicações. A seleção ou busca de material deve começar entre os alunos que podem vasculhar suas memórias e coleções no encontro de material de relevância para as aulas. Obviamente, os professores que são leitores de histórias em quadrinhos possuem uma facilidade muito maior em introduzir as temáticas e as dinâmicas envolvendo o material.
Quais são as idades que mais leem HQs?
Depende do local/região e dos gêneros de publicação. Os estudos de recepção mostram que é extremamente diversificado e muito restrito a determinados segmentos. Entre os quadrinhos infantis, como Turma da Mônica, estão as crianças até 12 anos; já entre os quadrinhos de super-heróis, jovens dentre 14 e 24 anos. Isto é, os segmentos etários variam conforme o gênero de publicação. Mesmo assim, há membros de quase todas as faixas etárias em cada segmento.
Os quadrinhos favorecem a leitura de outros segmentos editoriais?
Depende do tipo de quadrinhos e do público-alvo. Nos quadrinhos infantis, não. Já nos quadrinhos undergrounds, sim. Não há uma correlação significativa entre estes dados. Os quadrinhos não podem ser vistos como uma ponte para um tipo de acesso literário. Ele é um gênero independente. Seu consumo não facilita ou caminha para o consumo de outros materiais, necessariamente.
Como está o mercado de HQs no Brasil?
O mercado brasileiro anda em pleno processo de desenvolvimento. Não tem a mesma estrutura de mercados consolidados como o japonês, o europeu ou o norte-americano, mas caminha num processo, um pouco estável, mas crescente. Hoje, muito mais que nas últimas duas décadas, é mais fácil produzir e publicar no Brasil, muito devido às iniciativas coletivas (como o financiamento coletivo) e aos recursos cibernéticos (como o uso do facebook e de blogs para publicar webcomics e webtiras). Ainda é muito difícil viver profissionalmente deste segmento (são poucos os que conseguem), mas as vagas estão aumentando e a mentalidade comercial das empesas, se modificando, mesmo que devagar.
Quais os seus quadrinhos preferidos?
Devido à minha atuação como pesquisador de quadrinhos, termino lendo de tudo e não tendo um segmento preferencial. Mas tendo a consumir com mais intensidade e prazer os quadrinhos japoneses, os mangás.
Quando começou a gostar do tema?
Como boa parte dos jovens, comecei a ler quadrinhos na pré-adolescência. A prática me levou ao colecionismo e, por conseguinte, a um clube de colecionadores de quadrinhos em Recife, chamado Nanquim. Neste grupo, começamos a desenvolver praticas de discussão sobre este universo e de pesquisar publicações diferentes. O grupo cresceu e se institucionalizou, realizando diversas exposições sobre o tema, por volta do início da década de 1990. Isso me levou à pesquisa acadêmica, e a realizar um mestrado e um doutorado sobre quadrinhos na área de sociologia.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Novo Artigo: O Humor dos Mangás e a Educação para a Diversidade Sexual e de Gênero





Acabou de sair a nova edição da Revista 9ª Arte.
Entre os artigos, consta um meu, intitulado: "O Humor dos Mangás e a Educação para a Diversidade Sexual e de Gênero"



O Humor dos Mangás e a Educação para a Diversidade Sexual e de Gênero 
Nona Arte: Revista Brasileira de Pesquisas em Histórias em Quadrinhos. , v.5, n.1, p.33 - 44, ago. 2016. São Paulo: ECA-USP.  ISSN - 2316-9877

[artigo completo: acesse aqui] 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quadrinhos Intuados começa hoje em João Pessoa (PB)!


Hoje é a abertura do 2º Quadrinhos Intuados. Segue abaixo a programação completa de quadrinhos e quem quiser ver o resto da programação pode acessar na página http://agostodasletras.tumblr.com/2016programacao

SEXTA (12/08/2016)
18h30: Abertura da exposição do 4º Salão Nacional de Humor José Lins do Rego
19h00: Conversa com os quadrinistas convidados do evento
SÁBADO (13/08/2016)
08h às 12h: Oficina de narrativa visual com Dharilya
14h às 15h: OuBaPo na Gibiteca
15h às 17h: Bate-papo “Jornalismo e crítica de HQs”, mediado por Alex de Souza com Audaci Junior (PB), Thomaz Rocha (CE), Mariamma Fonseca (BA)
17h às 18h: Quadrinhos e Ação
18h às 20h: Bate-papo “Quadrinhos na Academia”, mediado por Allana Dilene com Henrique Magalhães (PB), Amaro Braga (AL) e Bruno Alves (PE)
DOMINGO (14/08/2016)
08h às 12h: Oficina de roteiro com Pablo Casado (AL)
14h às 15h: OuBaPo na Gibiteca
15h às 17h: Bate-papo “Mangás brasileiros”, mediado por Paloma Diniz com Dharilya Sales (CE), Amaro Braga (AL) e EUDETENIS (RN)
17h às 18h: Quadrinhos e Ação
18h às 20h: Bate-papo “Webcomics e a divulgação do quadrinho nacional”, mediado por Marcelo Soares com Felipe Portugal (MA), AnaLu Medeiros (RN), Caio Oliveira (PI)
Todas as atividades acontecerão nas dependências da Gibiteca Henfil, no submezanino 2 do Espaço Cultural José Lins do Rego.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Livro Novo: Quadrinhos & Educação, Vol. 3: Fanzines, Espaços e Usos Pedagógicos


APRESENTAÇÃO:
OS QUADRINHOS E SEUS DIVERSOS USOS NA EDUCAÇÃO


Estas últimas décadas têm reservado às histórias em quadrinhos um novo espaço de prestígio social. Seu ethos, através de seus personagens característicos, temas e enredos das publicações de diversos anos anteriores, ganham cada vez mais, o conhecimento do público através da cultura geek (antiga cultura nerd), amplamente representada nos objetos midiáticos de entretenimento como séries televisivas e filmes no cinema.

Esta invasão e apropriação é um exemplo de como as Histórias em Quadrinhos (HQs) (re)despertaram o interesse da população. Foi-se o tempo em que os colantes coloridos e seus temas sci-fi eram sinônimos de exotismo, alienação social ou deseducação.

Não se trata mais de encarar estas publicações como objetos de um mero entretenimento. Suas potencialidades educacionais, sejam elas pedagógicas ou andragógicas, são amplamente divulgadas e despertam o interesse de diversos profissionais, tanto do ponto de vista econômico-financeiro, mas artístico-acadêmico e, por conseguinte, educacional.


Nestas mesmas últimas décadas, você leitor deve ter se deparado com diversas publicações que analisavam, e exaltavam esta relação proximal que as HQs têm com o ambiente pedagógico. E, algo que atesta isso, é ter em mãos este terceiro volume da coletânea Quadrinhos & Educação. Uma iniciativa desenvolvida em 2014 que resultou nos dois primeiros volumes publicados em 2015, e segue, impetuosamente, o labor de transcrever em palavras o esforço de diversos pesquisadores, jovens e experientes, que investigam esta relação proximal das HQs com o ensino e a aprendizagem.

Neste terceiro volume, reunimos os artigos em três blocos temáticos. O primeiro concentrou uma série de artigos que descrevem a relação que as HQs têm com o universo de produção do fanzine – aquelas publicações artesanais que circulam em diversos ambientes, mas, principalmente, os chamados alternativos, sobre temas mais diversos e cuja linguagem das HQs é uma base comum. O geógrafo Clézio dos Santos nos apresenta um relato sobre o uso da técnica de produção de quadrinhos, por vias da publicação de fanzines, no conhecimento de aspectos geográficos da região que ladeia os jovens frequentadores da oficina na região da baixada fluminense. Sua análise, inclusive, atesta que a feitura destas publicações não apenas atende o aspecto da educação não formal sobre o lugar, mas é, ao mesmo tempo, um veículo de construção da identidade social e cultural do grupo. Da mesma forma, o pedagogo Marcio Garcia, segue mostrando como a produção de fanzines vinculados à produção de HQs possibilitou discutir o ensino de química entre adultos. Estes meios permitiram ampliar a capacidade cognitiva dos alunos e sua autonomia, como demostra no relato de sua oficina. Finalizando o bloco, temos o levantamento de como as HQs e os fanzines vêm sendo usados, tanto por inciativa institucional, quanto por publicações independentes, para ensinar temas relacionados à ciência e à saúde no Brasil, produzida pela bióloga e fanzineira Danielle Fortuna em parceira com seus orientadores e médicos Paulo Vasconcellos-Silva e Tania Araújo-Jorge. Onde se expõe as estratégias metodológicas utilizadas para a publicação deste material.

Artigo de Danielle Barros

O segundo bloco avalia os espaços pedagógicos das HQs, tanto aqueles relativos ao espaço interno da unidade escolar (sala de aula), quanto àqueles que, longe da escola, se tornam espaços de recepção dos escolares. Começamos com os relatos de vivências das pesquisadoras: a linguista Daniela Marino e a historiadora Natania Nogueira sobre as gibitecas (bibliotecas especializadas em quadrinhos) como espaços de formação de leitores, descrevendo tanto as ações que ocorrem na gibiteca de Santos (SP), quanto as de Leopoldina (MG). O espaço externo da relação leitor e HQ é apresentado pelo geógrafo Fábio Paiva e pelo historiador Thiago Modenesi ao desenvolver um estudo de recepção sobre como os quadrinhos de super-heróis possibilitam relações de aprendizagem, enfatizando sua influência positiva presente nas falas dos entrevistados. O historiador Thiago Modenesi retorna, desta vez numa parceria com a linguista Rosa Casella com o intuito de avaliar como as HQs infantis podem ser usadas em sala de aula como ferramenta de aprendizagem na educação infantil, defendendo como avaliar o tipo de material para o tipo de aluno é decisivo para promover aulas mais dinâmicas e despertar o prazer no processo de aprendizagem, aspectos necessários em todos os níveis de ensino, principalmente, o infantil. 

O terceiro, e último bloco desta coletânea, concentra suas análises nas potencialidades de uso pedagógico das publicações de histórias em quadrinhos. São relatos e análises que privilegiam obras em específico e enfatizam seus usos educacionais. O design Ranieri Dib faz uma avaliação do álbum “Avenida Paulista” de Luiz Gê, enfatizando sua dimensão historicista na narrativa de formação urbana e arquitetônica de São Paulo, no qual a HQ não é apenas um documento histórico dos fatos ocorridos, mas um documento imagético que orienta o leitor a identificar, visualmente, a relevância dos elementos históricos, haja visto que muitas das sequencias são sem texto e demandam do leitor um acompanhamento visual do processo. 


O ensino de história volta a ser foco no trabalho da bióloga e desenhista Janaína Araújo em parceira com o sociólogo Amaro Braga que diagnosticam os potenciais tanto criativos quanto instrucionais do mangá Hetalia e seu processo pioneiro de personificação antropomórfica de países onde a Segunda Guerra Mundial se torna um conflito social ambientado numa unidade escolar japonesa. Tem meio melhor de explicar as crises de política internacional naquele século que por vias das crises juvenis, facilmente identificadas por leitor contemporâneo?! O que a dupla defende é o uso do mangá como um recurso cativante e facilitador da aprendizagem deste processo, extremamente humorístico, normalmente desconhecido do professor. E é o humor o tema do trabalho seguinte, onde o sociólogo Amaro Braga retorna, desta vez numa parceria com a linguista Denise Margonari, ao analisar como a linguagem do humor que impregna as tiras em quadrinhos cujos temas, personagens e enredos envolvem a população LGBTT - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros. A dupla faz uma varredura destas publicações e defende que tais materiais são ideais para desenvolver uma educação para a diversidade sexual e de gênero conforme indicação dos PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais.  

E, por fim, finalizando a seção, o historiador Savio Lima, exemplifica uma aula sobre a África, em cumprimento da Lei 10.639 – que prevê o ensino da cultura e história afro-brasileira e africana em sala de aula – com um álbum em quadrinhos especifico: “Tintin no Congo”, uma bande dessinée (como são chamados os quadrinhos franco-belgas na Europa) que recebeu muitas críticas pelo discurso racial do povo africano. Sua análise recai ao professor como um guia de leitura e implementação, enfatizando seus aspectos e pontos importantes de referência numa aula – ações desejadas para a implementação, por parte dos professores, destes materiais.

Artigo de Amaro Braga e Denise Margonari


Obviamente, nossa coletânea não tem o intuito de encerrar quaisquer discussões sobre a relação Quadrinhos e Educação. São muito mais uma contribuição para alimentar o espaço de discussão sobre o tema, assim como, guiar os interessados que visem promover, na prática, estas mesmas dimensões. Como uma boa história em quadrinhos, as aventuras estão apenas começando. Este é apenas o terceiro capítulo de uma série que está muito longe de acabar...
Boa leitura!

Prof. Dr. Amaro Xavier Braga Junior
Prof. Dr. Thiago Vasconcellos Modenesi





Quadrinhos & Educação, Vol. 3Fanzines, Espaços e Usos Pedagógicos
[Coletânea de Artigos]
2016 | 179 páginas | ilustr.|
R$ 30,00
(frete grátis e pode parcelar em até 3x)

        Bloco 1: Quadrinhos, Fanzines e Propostas Pedagógicas

OS FANZINES COMO RECURSO DIDÁTICO NO CONTEXTO UNIVERSITÁRIO DA BAIXADA FLUMINENSE: NARRATIVAS E REPRESENTAÇÕES DOS BAIRROS | 11
Clézio dos Santos

OS SABERES NA FORMAÇÃO DOCENTE: A PRODUÇÃO DE FANZINES NO CURSO DE LICENCIATURA EM QUÍMICA | 27
Marcio Roberto da Silva Garcia

QUADRINHOS E FANZINES NO ENSINO DE CIÊNCIAS
E SAÚDE NO BRASIL: MAPEAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DAS PUBLICAÇÕES E METODOLOGIAS | 39
Danielle Barros Silva Fortuna 
Paulo Roberto Vasconcellos-Silva 
Tania Cremonini de Araújo-Jorge

       Bloco 2: Quadrinhos e seus Espaços Pedagógicos

GIBITECAS COMO ESPAÇOS DE FORMAÇÃO DE LEITOR E EXERCÍCIO DA CIDADANIA | 67
Daniela dos Santos Domingues Marino
Natania Aparecida da Silva Nogueira

EDUCAÇÃO NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS DE SUPER-HERÓIS:
A PERCEPÇÃO DOS LEITORES | 79
Fábio da Silva Paiva
Thiago Vasconcellos Modenesi

AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM | 93
Rosa Alicia Nonone Casella
Thiago Vasconcellos Modenesi

Bloco 3: Quadrinhos e seus Usos Potenciais na Sala de Aula

AVENIDA PAULISTA: EDUCAÇÃO EM FORMA DE QUADRINHOS | 109
Ranieri Lima Dib

PERSONIFICAÇÃO DE ESTEREÓTIPOS EM HETALIA:
AXIS POWERS E O ENSINO DE HISTÓRIA GERAL NO BRASIL | 119
Janaina Freitas Silva de Araújo
Amaro Xavier Braga Jr 

O HUMOR DAS TIRAS-EM-QUADRINHOS NA EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE SEXUAL | 143
Amaro Xavier Braga Jr 
Denise Maria Margonari

Tintin no Congo e a Lei 10.639: conflitos e acordos para aplicação em sala de aula | 161
Savio Queiroz Lima

domingo, 17 de julho de 2016

2º Encontro Regional Sobre Histórias em Quadrinhos em João Pessoa

Evento acontece entre os dias 11 e 14 de agosto no Espaço Cultural.

Mais informações: http://agostodasletras.tumblr.com/2016quadrinhos 


QUADRINHOS INTUADOS - 2º ENCONTRO REGIONAL SOBRE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS
O mês de agosto será dedicado à leitura na Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc). É quando acontece mais uma edição do projeto ‘Agosto das Letras: Festival de Leitura da Paraíba’, no período de 11 a 14 do referido mês. São oficinas, palestras, feiras, lançamentos de livros, mesas-redondas, contação de histórias paracrianças entre outras atividades de interação com público, escritores e editoras, voltadas aos variados segmentos da área. Integrado ao evento acontece o 2º Encontro Regional Sobre Histórias em Quadrinhos, de 12 a 14 de agosto. Todas as atividades têm entrada gratuita.
A coordenadora do ‘Quadrinhos Intuados’, Thaïs Gualberto, justifica a necessidade de um encontro regional voltado para o segmento. “A união regional tem-se mostrado uma tendência mundial, como forma de fortalecimento num contexto maior. No caso dos quadrinhos brasileiros, pouco se conhece dos quadrinhos realizados no nordeste, mesmo pelos próprios nordestinos”, argumenta.Uma das atrações que completará o encontro será a abertura do 4º Salão Nacional de Humor José Lins do Rego, abrindo a programação do evento na sexta-feira (12 de agosto). 
Em três dias de encontro (sexta, sábado e domingo), serão realizadas oficinas, bate-papos e espaços para venda de quadrinhos de todo o Nordeste, tendo em vista uma troca de informações entre os quadrinistas da região, que apesar de geograficamente próximos, têm pouco contato uns com os outros.

PROGRAMAÇÃO DE QUADRINHOS
Feira de Quadrinhos Independentes: 13 e 14 de agosto, das 14h às 21h
4º Salão Nacional de Humor José Lins do Rego: 12, a 14 de agosto

SEXTA (12/08/2016)
18h30: Abertura da exposição do 4º Salão Nacional de Humor José Lins do Rego
19h00: Conversa com os quadrinistas convidados do evento

SÁBADO (13/08/2016)
08h às 12h: Oficina de narrativa visual com Dharilya
14h às 15h: OuBaPo na Gibiteca
15h às 17h: Bate-papo “Jornalismo e crítica de HQs”, mediado por Alex de Souza com Audaci Junior (PB), Thomaz Rocha (CE), Mariamma Fonseca (BA)
17h às 18h: Quadrinhos e Ação
18h às 20h: Bate-papo “Quadrinhos na Academia”, mediado por Allana Dilene com Henrique Magalhães (PB), Amaro Braga (AL) e Bruno Alves (PE)

DOMINGO (14/08/2016)
08h às 12h: Oficina de roteiro com Pablo Casado (AL)
14h às 15h: OuBaPo na Gibiteca
15h às 17h: Bate-papo “Mangás brasileiros”, mediado por Paloma Diniz com Dharilya Sales (CE), Amaro Braga (AL) e EUDETENIS (RN)
17h às 18h: Quadrinhos e Ação
18h às 20h: Bate-papo “Webcomics e a divulgação do quadrinho nacional”, mediado por Marcelo Soares com Felipe Portugal (MA), AnaLu Medeiros (RN), Caio Oliveira (PI)
Todas as atividades acontecerão nas dependências da Gibiteca Henfil, no submezanino 2 do Espaço Cultural José Lins do Rego.


Oficinas
Ilustração: Megaron Xavier e Raoni Xavier ministram a oficina no dia 11 de agosto. São 15 vagas para alunos a partir dos 12 anos de idade e as inscrições ficam por R$ 20.
Xilogravura para crianças e professores: Nireuda Longobardi ministra oficina utilizando a técnica da isoporgravura no dia 11 de agosto para alunos a partir dos 15 anos de idade. São 30 vagas e a taxa de inscrição é de R$ 20.

Construção de mini livros: Cláudia Gonçalves ministraoficina para alunos a partir dos 12 anos de idade no dia 12 de agosto e há apenas 15 vagas. A taxa de inscrição é de R$ 20.

Narrativa Visual: Dentro do projeto Quadrinhos Intuados, vai ser ministrada por Dharilya no dia 13 de agosto. São 15 vagas para alunos a partir dos 15 anos de idade e a taxa de inscrição é de R$ 20.

Roteiro: Pablo Casado ministra a oficina no dia 14 de agosto para alunos a partir de 14 anos. São 15 vagas e as inscrições ficam por R$ 20.

Criação literária: ministrada por Ademiro Alvez para alunos a partir de 14 anos. São 20 vagas e as inscrições custam R$ 20.

Cordel: Francis Gomes ministra oficina para alunos a partir de 12 anos, com inscrição por R$ 20.
Debates
Jornalismo e crítica de HQs: acontece no dia 13, 15h às 17h, mediado por Alex de Souza e os debatedores são Audaci Junior, Thomaz Rocha e Mariamma Fonseca.
Quadrinhos na Academia: também no dia 13, com Henrique Magalhães, Amaro Braga e Bruno Alves, sendo mediado por Allana Dilene, das 18h às 20h.
Webcomics e a divulgação do quadrinho nacional: no dia 14, das 18h às 20h, Marcelo Soares media o debate com Felipe Portugal, AnaLu Medeiros e Caio Oliveira.
Mangás brasileiros: também no dia 14, das 15h às 17h, com mediação de Paloma Dharilya e os debatedores Sales, Amaro Braga e Eudetenis
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