segunda-feira, 19 de outubro de 2015

30 anos da Oficina de Quadrinhos na UFC

Há 30 anos, a Oficina levava os quadrinhos para o universo acadêmico da UFC. 
Hoje, com a pesquisa acadêmica de quadrinhos cada vez mais expandida nas universidades do país, o primeiro convidado da comemoração dos 30 anos da Oficina de Quadrinhos é o doutor em sociologia, professor da Universidade Federal de Alagoas e pesquisador de quadrinhos Amaro Braga.

É dia 13 de novembro, na UFC. #Oficina30Anos
 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Quando uma HQ fez 39 alunos viajarem para conhecer uma cidade....

Hoje foi um dia especial.  Pude desfrutar da satisfação de ter realizado um bom trabalho.

Camisa com ilustração retirada da HQ e os dizeres "Produzi e Viajei!" em cima, descreve o evento: Gincana da Escola Jatobá. Não é interessante uma comunidade do Sertão (apesar de estarem na beira do São Francisco) escolher uma imagem de praia para ilustrar as camisas? 

Alguns dias atrás, uma professora chamada Ozita, de uma pequena escola chamada Jatobá de um bairro do sertão pernambucano, há 460 km de distância do Recife, na cidade de Petrolândia, me enviou um email.

Recebendo os alunos na Sinagoga Kahal Zur Israel.

Foi um email modesto e simples. com poucas palavras e sem muita esperança. Nas poucas linhas manifestava o interesse em conhecer um dos autores de uma História em Quadrinhos, ao qual havia lido e trabalhado, durante dois meses na escola ao qual ensinava. Terminava a correspondência com uma lamentação: "podemos sonhar, não é?", como se dissesse ao vento e ninguém estivesse ouvindo seu desejo em conhecer uma pessoa que, ao que parecia, seria impossível.

A professora havia recebido um exemplar da minha HQ  "Passos Perdidos, Historia Desenhada" sobre a presença judaica em Pernambuco. Além de ter gostado da HQ a professora resolveu, junto à diretora da escola, propor uma gincana para o ensino médio: Com base na HQ desenvolver ações e projetos culturais, retratando os acontecimentos descritos na HQ.

Exibindo as revistas utilizadas na Gincana

Os alunos do 1º, 2º e 3º ano se misturaram e se distribuíram em grupos mistos escolhendo partes da HQ e desenvolvendo ações de produção. Fizeram músicas, danças, encenações, performances, painéis e pinturas, resinificando o álbum em quadrinhos. A gincana consistia de 7 provas: produzir uma música, um figurino, fazer um trabalho de artes visuais, uma encenação teatral, uma leitura dramática, uma poesia e um cordel. Tudo inspirado na HQ.


Cenas da Performance, do figurino e da encenação teatral com base nas páginas da HQ

A HQ era o roteiro pelo qual eles construíram diversas apresentações artísticas e resgataram a história dos judeus no nosso Estado.

Eu já havia recebido alguns relatos de aplicação pedagógica das minhas HQs antes, mas este, em particular, foi mais impactante. Eles perceberam algo que deixei nas entrelinhas, inseri no álbum e esperei, por muito tempo, que alguém captasse meus intuitos. Foi naquele mesmo email que soube que pelo menos um educador havia captado o que fiz. E a professora Ozita mostrou isso. Ela disse, "[...]estamos levando o grupo ganhador da Gincana para conhecer o Recife e os locais retratados na sua HQ, ficamos tão encantados pelas imagens que precisávamos conhecer os locais que você descreve."
As páginas da HQ foram refeitas em posteres e exibidas durante o evento como "cenários" para as performances

Letra de música parodiando cenas da HQ


Pronto, se completava ali um ciclo iniciado em 2005 quando fiz esta HQ. Não queria falar só dos judeus e da história. Queria falar da minha cidade e de sua beleza urbana. Queria transformar minha HQ em um guia turístico de locais ao qual sou apaixonado e cuja beleza me é nostálgica.

Ozita e seus 39 alunos, da escola de Jatobá de Petrolândia captaram isso e vieram. Conseguiram um apoio do Lions Club de Pernambuco para custear o translado e passaram quase 6h de viagem e um objetivo: conhecer os locais e as cenas descritas numa História em Quadrinhos e se dessem sorte, conversar com os autores do trabalho.

Eles conseguiram. Infelizmente, as desenhistas estavam trabalhando e não puderam comparecer, mas eu estava lá e foi um encontro emocionante. Foram muitas perguntas. Relatos de cada uma das coisas que fizeram. de como pegaram uma página e musicaram; outros que encenaram as cenas desenhadas na página, fazendo figurinos e adereços, conforme os desenhos; outros que fizeram paródias e tantas outras iniciativas. Fiquei muito contente. Primeiro por ver iniciativas tão promissoras no uso de uma HQ em sala de aula de forma criativa, também pelo reconhecimento das funções latentes da minha HQ.


Alunos da Jatobá recitando poesias inspiradas na HQ Passos Perdidos, História Desenhada

Hoje desfrutei de um reconhecimento ao qual nem esperava. Senti-me grato pelo o que o meu trabalho pode proporcionar aos jovens educandos. Grato não só pela aprendizagem, mas pelo desejo deles em nos conhecer e descrever como fizeram cada uma das ações. Eles namoraram  a HQ por dois meses, lendo e relendo, deixando que a criatividade os levasse à vitória e ao passeio por uma Recife que aprenderam a gostar e a vivenciar pela HQ e pelo meu olhar.

Espero que outros autores sintam o mesmo que senti hoje. Consigam produzir um trabalho que vença o tempo e veja os resultados de mudança ocasionados pelo seu trabalho e pela sua arte. É o que todos buscam!
Não existe sentimento mais reconfortante que o de ter realizado um bom trabalho.
Com os 39 alunos na sinagoga. Reconhecimento e admiração. 

Parabéns aos alunos pelo esforço na realização da gincana.
Parabéns às professoras Ozita e Nazareth pela proposta de transformar uma HQ em uma gincana.
Parabéns ao Lions Club por financiar a ida dos alunos até o Recife.
Parabéns as desenhistas Danielle Jaimes e Roberta Cirne pelo trabalho inspirador!
Parabéns à Tânia Kaufman e ao AHJPE por acreditarem na minha ideia!
Parabéns ao Funcultura e ao FNC do Minc por nos ter apoiado na realização do projeto!
Parabéns a todos os judeus pernambucanos pela trajetória e pela contribuição histórica!

Uma parte das fotos foram retirados do Blog do Assis Ramalho que fez uma cobertura sobre o evento (http://www.assisramalho.com.br/)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Novo livro publicado: Política, Educação e Inovação

A parceria com o Prof. Dr. Thiago Modenesi (FG) rendeu mais um livro: Política, Educação e Inovação, editado pela Faculdade dos Guararapes.


Como desenvolver ações de reflexão acerca da inovação na educação? É na política ou no espaço de atuação do pensamento político que se busca a inovação. Inovar é buscar algo novo. O “Novo” aqui é pensar em estratégias de melhoria, ampliação, resolução e conquistas. Inovar é resolver pendências e buscar soluções. Faz parte do ethos da educação a busca contínua pela inovação. Nossa coletânea buscou reunir levantamentos dispersos em temáticas que têm em comum a discussão em torno da Educação, seguindo, criticamente, as apropriações desenvolvidas nas políticas públicas do Estado e seus vínculos com a inovação, além de circundar algumas ações mais micro estruturadas na educação formal e não formal em torno das ações educativas de inovação. Os limites de aplicação destas perspectivas são bem amplos e as opiniões de cada pesquisador divergem quanto às aplicações. O leitor deverá, a partir de sua leitura e análise, decidir se concorda ou não com os debates aqui indicados.

Começamos nossa trajetória de investigação com um extenso debate sobre a ordem pública, os sistemas de governo e a atuação do Estado. Afinal, boa parte da inovação na educação advém das políticas públicas implementadas pelo governo no gerenciamento da educação, trata-se, portanto, de uma dimensão macrossocial. Em “Os conselhos municipais de educação: um espaço de exercício da cidadania?”, Thiago, Edvaldo e Edilson confrontam a questão teórica e a realidade dos conselhos municipais de educação e o nível de participação popular; A inovação depende das ações de avaliação sobre o que já foi feito. Com isto em mente, Pâmela em seu artigo “Circulação de ideias sobre a avaliação de sistemas educacionais: assentamento desta prática no Brasil” procurar avaliar os modelos utilizados no Brasil dos sistemas de avaliação educacional discorrendo sobre seu desenvolvimento histórico e social; Outra avaliação, mais prática, ocorre no trabalho “A educação em saúde na escola: experiência de residentes multiprofissionais na cidade do Recife” de Hercília e Gilmário que busca partilhar a experiência de residentes multiprofissionais em saúde da família da UFPE acerca da educação em saúde na escola. 
A inovação também é amplamente relacionada ao campo da ciência e tecnologia, com isto em mente, José Dilson e Nilson discorrem sobre o tema no “O papel da educação frente os avanços em ciência e tecnologia: alguns encaminhamentos teóricos” que apesar de não se restringir à experiência prática dos autores, toma como base justamente suas reflexões e práticas docentes desenvolvidas no Centro de Formação de Professores da UFRB; A interface das políticas educacionais em confronto com as da ciência e tecnologia continuam no trabalho “Parques tecnológicos como instrumento de apoio ao desenvolvimento industrial de PE: novas concepções e primeiros passos” de Bertotti, Abraham e Alexandre que aponta para a necessidade do tripé Universidade, Empresa e Governo como absolutamente necessários para o desenvolvimento de um ambiente de inovação em PE alinhado com o que há de mais avançado no mundo; A regulamentação destes tipos de iniciativa governamental são o foco do trabalho “Estado, mão invisível e seletividade: breves reflexões” de Liliane, Denilson e Thiago. O debate entre a tensão ocasionada pela prática política e a lógica filosófica valorativa da ação política se apresentam no amplo trabalho de Anne, intitulado “Ciência, tecnologia e inovação na constituição consoante alterações introduzidas pela EC nº 85/2015: flagrante influência furtadiana e schumpeteriana.”
Saindo um pouco da política explícita caminhamos pelas ações práticas dos agentes sociais e suas ações de inovação. Esta trajetória se inicia com a análise de Danielle sobre o “ O Espaço da EAD nas IFES”. E, sabemos que nos últimos anos, boa parte da inovação na política educacional das IES públicas e particulares têm se voltado para o ensino à distância. Chegando na sala de aula avaliamos pelo olhar de Karla, como os materiais didáticos podem colaborar ou não para a inovação no artigo intitulado “Educação e linguagem: como fica a questão dos gêneros textuais nos livros didáticos de língua portuguesa?” e finalizamos com um texto meio ensaio, meio relato de experiência de Amaro que questiona o impacto cultural da exibição de filmes em sala de aula. É possível perceber níveis de inovação diferenciados na educação quando exibimos um filme legendado ou dublado? Veja se concorda com a análise no polêmico “Dublado ou legendado? reflexões sobre a exibição de filmes na sala de aula”.


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